Confraria #02 | O Estrangeiro, de Albert Camus
- Confraria

- 17 de jun.
- 2 min de leitura

Nosso encontro de junho da Confraria das Amigas trouxe várias reflexões e uma ótima conversa sobre esse clássico da literatura mundial: O estrangeiro, de Albert Camus. Ler ‘O estrangeiro’ foi uma experiência marcante que nos causou estranhamento desde as primeiras páginas. Tivemos a sensação de estar diante de uma obra que questiona constantemente o sentido da vida e das verdades a que somos obrigados a reproduzir, de acordo com o que a sociedade espera.
Nosso protagonista tem uma história de perdas ao longo da narrativa. Perda da mãe no início da trama, da noiva, do emprego, da liberdade, porém, ele parece observar a vida à distância, como alguém que não se encaixa totalmente nas expectativas do mundo.
Sua maneira direta e indiferente de encarar os acontecimentos importantes, provoca no leitor sentimentos variados: curiosidade, incômodo e, às vezes, até empatia. Em muitos momentos, o que mais impressiona não são os acontecimentos em si, mas os silêncios e a aparente falta de emoção do protagonista, onde as sensações físicas, como frio, calor, claridade, umidade, parecem ser mais importantes do que os sentimentos.
Nesse contexto ele é preso por um crime e condenado principalmente por não "se encaixar" no padrão social. Ateu, não tenta justificar o crime e continua em sua apatia irritante. O resultado desse perfil é uma condenação impulsionada pelas impressões de sua personalidade, que chocam o que é socialmente aceito.

Podemos gostar ou não da história ou do personagem principal, mas ao acompanharmos o desenrolar dos fatos, percebemos que o romance vai muito além da história sobre um crime ou um julgamento. Camus nos apresenta um livro incômodo, provocador, que nos convida a refletir sobre temas universais como o sentido da existência, a liberdade, as regras que a sociedade nos impõe, sobre o modo como devemos sentir e agir e sobre, afinal, o que é pertencer ao mundo.
A escrita do autor é direta e objetiva, tem uma narrativa simples e linear, mas carrega uma profundidade surpreendente, ao encararmos a efemeridade da existência, a monotonia do cotidiano e a forma como encaramos o presente, sem ilusões ou falsas certezas, lembrando que a finitude da vida é a única verdade inevitável. ‘O Estrangeiro’ é um daqueles livros curtos que deixam perguntas ecoando depois de terminar. Mais do que um clássico da literatura, é um livro que conduz o leitor a olhar para si mesmo e, justamente por isso, continua tão atual e fascinante, permanecendo na nossa mente para além da última página.
Até o próximo encontro!
Patricia Di Lorenzi


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