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Cosmovisão e narrativa: caminhos de criação com Felipe Folgosi

Foto originalmente publicada na Revista Caras online.
Foto originalmente publicada na Revista Caras online.

A escrita como prática de consciência. A leitura atenta não como operação da linguagem, mas como gesto que nos constitui e nos reorienta. Pela Palavra, o pensamento encontra forma, respira, amadurece. Torna-se possível reconhecer o que construímos, o que partilhamos e o que restituímos; alcançar a nitidez do que nos atravessa, seja o tempo, a ficção, o extraordinário.


Da intuição às ideias que traduzimos, é no hábito, na prática e na insistência que os projetos encontram verdade e consistência. Do rascunho ao roteiro, do diário à biografia, importa permanecer. Tentar, retornar, refazer. E, nesse percurso, reconhecer a proximidade que se insinua na voz do outro e na quietude que pulsa em toda gente.


Discernir o que nos atravessa implica considerar seu valor e sua permanência. Nesse exercício, cultivamos uma cosmovisão, um conjunto de fundamentos que sustenta uma escuta mais apurada do mundo e orienta processos de transformação interior.


Em um tempo marcado pelo esvaziamento do sentido, torna-se necessário restituir densidade. Não por meio de discursos, produtos ou acúmulo de ideias, mas por experiências que nos reconduzam à palavra em sua simplicidade; à densidade do escrever, como gesto que transborda e se refaz em vivência, em encontro.


A obra de Felipe Folgosi inscreve-se nesse território. Sua trajetória, que atravessa diferentes linguagens, especialmente o roteiro para cinema e os quadrinhos, revela uma escrita ancorada na experiência e orientada por temas fundamentais, como a fé, a espiritualidade e a filosofia, eixos que ampliam nossa compreensão e posicionamento diante da realidade, convocando atenção à história e às circunstâncias que a configuram, aos regimes de pensamento que a sustentam, assim como à ciência, à política das ideias e às dinâmicas tecnocráticas que atravessam a contemporaneidade.


Em seu canal no YouTube, Felipe compartilha leituras guiadas de obras de difícil acesso, muitas ainda sem edição em português, recolocando em circulação questões frequentemente silenciadas em determinados contextos sociais, acadêmicos e políticos. Algumas dessas leituras podem ser acompanhadas a seguir:



Ao nos aproximarmos da Páscoa, pensar a escrita do mundo adquire outra espessura. Recorda-se uma história que atravessa os séculos e permanece, transformando o curso da história pela humildade de um único homem. Uma narrativa que continua a ser lida, interpretada e inscrita, de diferentes formas, no coração e no cotidiano de cada geração.


A leitura do passado e do outro se apresenta como possibilidade de renovação. Reorienta o olhar, depura a percepção e nos aproxima, com maior lucidez, daquilo que reconhecemos como verdadeiro e, por isso, cremos.


É com esse espírito que apresentamos esta breve entrevista. Porque na vida em comum, o diálogo se aproxima do pão à mesa, como gesto simples e essencial, que sustenta, e nos faz conviver. E essa mesma generosidade se revela na obra de Felipe Folgosi, que convidamos você a conhecer na conversa e nos links a seguir:



1. Ao longo da sua trajetória profissional, que atravessa diferentes linguagens artísticas, quais experiências mais influenciaram as histórias que você escolhe contar em seus roteiros e HQs? Poderia compartilhar algum spoiler dos próximos projetos que vêm por aí?


Felipe Folgosi: Cada história reflete algum tema que me mobiliza de alguma forma, podendo ser experiências que me inspiram diretamente como a experiência de ser estrangeiro em Knock Me Out, minha relação com os cães em Lambo ou revisitar a infância em O Prédio. Mas mesmo que não seja uma experiência propriamente dita, todas as histórias são muito pessoais, ao ponto de gastar anos trabalhando para transformá-las em quadrinhos. Estou produzindo a nona HQ, chamada "Non Plus Ultra", com a intenção de lançar ainda em 2026.


2. No seu trabalho no YouTube, você aborda temas essenciais para compreender os desafios do nosso tempo, como filosofia, história, ciência e espiritualidade. Além dos livros e filmes que você já comenta no canal, que outras referências você indicaria para quem deseja compreender esses temas?


FF: Penso que o ponto de partida principal, que serve de base para tudo que leio e produzo é a Bíblia. Ela é a chave para entender não só a história humana, mas a própria realidade.



3. E para quem está iniciando no universo da escrita — seja como roteirista ou em outros caminhos criativos —, que orientação você considera mais importante nesse início de percurso?


FF: Primeiro ler bastante. Depois, escrever sem pressão mas com disciplina, estabelecer uma rotina e escrever até criar o hábito. Claro que existem livros e cursos sobre escrita criativa, que podem ajudar as pessoas a darem os primeiros passos. Indico o curso que criei com esse objetivo e está disponível na plataforma de ensino Savoá.



Sobre o autor: Felipe Folgosi começou no teatro aos 15 anos e estreou na TV aos 17 como ator e apresentador. Formado em Cinema pela FAAP e especialista pela UCLA, tem experiência em dramaturgia, roteiros e HQs. Autor das Graphic Novels “Aurora”, “Comunhão”, além de várias publicações, colabora com coletâneas e produções cinematográficas. Felipe compartilha sua expertise em narrativa, storytelling e construção de histórias que emocionam e engajam o público.



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