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Confraria #03 | Pequenas coisas como estas, de Claire Keegan


O livro do mês de julho da Confraria das Amigas é o vencedor do Orwell Prize e considerado um dos 100 melhores livros do século XXI, eleito pelo jornal The New York Times. Baseado em fatos reais, o livro da escritora irlandesa Claire Keegan inspirou o filme de mesmo nome, lançado em 2024 e estrelado pelo ator irlandês Cillian Murphy.


Durante o inverno do Natal irlandês, um pequeno comerciante de carvão da Irlanda dos anos 80, casado, pai de 5 meninas e filho de mãe solteira, se depara com uma realidade incômoda escondida atrás dos muros de um convento local, que o faz se lembrar de episódios de seu passado. Diante de uma situação que poderia ser simplesmente ignorada, ele precisa escolher entre o silêncio confortável e o gesto corajoso de fazer o que considera certo.


O título é uma delicada provocação: seriam mesmo “pequenas coisas” aquilo que fazemos — ou deixamos de fazer — diante do sofrimento do outro? O quanto uma atitude pode impactar na vida de outro ser humano. Um olhar, uma porta aberta, uma palavra, um gesto de humanidade podem parecer mínimos, mas, às vezes, carregam o peso de uma vida inteira. E como a vida em sociedade gera essa codependência?


Uma leitura sobre omissão, compaixão, coragem e sobre a força silenciosa de quem decide não fechar os olhos. Este drama linear e silencioso se passa principalmente nos questionamentos morais, sociais e existenciais, onde a repressão, o medo e a hipocrisia ditavam as normas, em um período em que a influência da igreja católica determinava o proceder de toda uma comunidade.


Há livros que chegam de mansinho e, quando terminamos a última página, percebemos que já nos transformaram. A autora escreve com uma economia impressionante: poucas páginas, poucas palavras, muita humanidade. E talvez esteja justamente aí a força do livro: ele não grita. Sussurra. E, o que sussurra, permanece. Pequenas coisas como estas, de Claire Keegan, é assim: breve na extensão, imenso no que provoca.


Gostamos muito de conhecer a escrita da autora e vale a pena assistir ao filme na sequência da leitura, que só enriquece ainda mais a experiência. E como o livro é inspirado em fatos que realmente ocorreram, ressaltamos que conhecer a história dos fatos por trás da obra facilita a compreensão do enredo e da finalização da trama.


Até o próximo encontro!



Nota: Durante quase um século esse tipo de convento existiu, funcionando como lavanderia, onde mulheres consideradas fora dos padrões, eram enviadas e viviam em condições de exploração como forma de expiar seus pecados. Segundo estudos, estima-se que cerca de 30 mil mulheres passaram por lá e mais de 790 bebês morreram neste período. Os conventos funcionaram até o fim dos anos 1990 e é uma mancha traumática na história recente da Irlanda.



1 comentário


Janaina Vieira
Janaina Vieira
há 15 horas

Um livro delicioso de ler.

As pessoas tem um impacto gigante na vida das outras, mesmo em pequenas coisas.

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