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Quem guarda as suas memórias?

Atualizado: 28 de jul.

Por Patrícia Di Lorenzi


Arquivo pessoal da autora
Arquivo pessoal da autora

Até um tempo atrás não era comum ter vários registros fotográficos da infância. Ninguém contratava fotógrafo para fazer ensaio de gestante, de bebê, de aniversário. Não era todo mundo que tinha uma máquina fotográfica, talvez pela pouca intimidade com esse tipo de registro ou em função do custo das revelações, que não eram baratas. De qualquer forma, em algumas fotografias em preto e branco ou em sépia, devem ter os registros dos nossos primeiros anos de vida: nossa casa, lugares para onde viajamos, um dia na praia, uma festa de carnaval, parentes reunidos ou datas comemorativas. Mesmo com a qualidade das imagens um pouco suspeitas - com certeza boa parte dos registros não saiam com os nossos melhores ângulos ou com muita nitidez, a melhor luz ou o melhor cenário - ali estão importantes momentos da nossa história que não conseguiríamos lembrar com detalhes por tanto tempo.


Sabemos que a nossa memória nos engana, uma vez que fantasiamos situações ou momentos que na verdade nem aconteceram exatamente da forma como lembramos. Fitas em VHS, slides, filmes fotográficos e fotografias, são registros de um tempo que não volta e nos ajudam a ter uma espécie backup do que vivemos ao longo dos anos. Talvez você diga que não teve uma infância feliz, que a vida não foi fácil, que as recordações daquele tempo não fazem falta e não vê motivos para guardar registros assim. Mas tenho certeza de que ao olhar para trás, para o que você já viveu, em algum lugar existe uma lembrança boa, um dia feliz que você gostaria de ter registrado.


Tenho uma tia-avó, de 102 anos que ao longo da vida guardou fotografias da família toda. Ela tinha uma caixa com várias fotos de diferentes tamanhos: retratos em 3x4, fotos de festas de casamento, de aniversários, batizados, que ela pedia aos familiares. Além disso, ela anotava em um caderno o crescimento da família: quem se casou com quem, quantos filhos tiveram e continua depois quando esses filhos cresciam e tinham suas famílias. Não sei ao certo o número de fotos que ela conseguiu juntar, mas sei que ela fez uma das coisas mais importantes que se pode fazer, guardou as memórias da família, que se transformou em um álbum, que fiz para ela.


Embora muitas vezes as fotos se percam quando os filhos crescem, os pais

não estão mais aqui e cada um vai para um lado, o registro fotográfico dos

momentos passados em família continuam a guardar um pouco de nós.

Preservar esses registros – revelando as fotografias e não deixando-as somente nas nuvens, nos traz um pouco de conforto, mata um pouco da saudade dos dias leves, dos momentos bons, da ingenuidade da vida. No fundo não importa se a imagem está com pouca qualidade, se não está muito nítida ou manchada pelo tempo, hoje temos recursos da Inteligência Artificial, que neste ponto, ajuda bastante melhorando o resultado final da fotografia.


Será que amanhã, quando nossos filhos e netos crescerem, quando um novo membro da família chegar ou alguém perguntar como foi na nossa infância, vamos ter alguma lembrança ou registro? Vamos saber contar de onde viemos e qual foi o caminho que percorremos para chegar até aqui? Será que também temos uma caixa perdida, com meia dúzia de fotos da nossa família de origem ou da família atual? Me conta, quem guarda as suas memórias?



Patrícia Di Lorenzi Barbosa - Formada em Turismo, empresária, de Lorena/SP. Acredito que todos nós temos alguma história para contar. Meu perfil público no Instagram tem 3 coisas que amo: @livros_paisagens_cafes.

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