Quando elas escrevem #4 | Maria Inês Migliaccio
- Inês Carrera

- 13 de mar.
- 4 min de leitura

A editora já tem a alegria de anunciar Sui Generis: Você, Ser Único e Irrepetível, ainda no prelo, da professora, pensadora e filósofa Maria Inês Migliaccio, estreia luxuosa no catálogo.
Este é um livro que convida a refletir em como pessoas virtuosas são valiosas para o progresso da humanidade, se seguirem princípios nobres de sua natureza, como magnanimidade, elegância e magnificência. Para Maria Inês Migliaccio, aquele que se atenta a esses fundamentos não apenas se aprimora, mas também engrandece o mundo ao seu redor.
Com base tanto em uma transcendentalidade aristotélico-tomista, quanto nos princípios do pensamento do filósofo Rafael Alvira, o livro aborda a pessoa como existência única e irrepetível, reafirmando a vida humana como diálogo, a dinâmica do querer bem, a sociabilidade como diferença no mundo, a bondade e a amizade geradas pela educação, a verdade da História, a beleza da cultura fomentada pelo magnânimo, a virtude, a transcendência, e o amor e a felicidade como expressões mais elevadas da realização humana e da plenitude do ser.
Nesta obra, o leitor é inspirado a sonhar alto e a fazer sempre as melhores escolhas, através de pensamentos e ações, refletindo sobre o poder transformador do amor verdadeiro, fiel e fecundo, e sobre a amizade, preciosidade que dá sentido à existência. Além disso, propõe um melhor entendimento da busca universal pela felicidade, muitas vezes não compreendida.
A data de lançamento será anunciada em breve, mas os leitores já podem ficar com um gostinho daquilo que está por vir.

A Jaguatirica conversou com a autora sobre inspiração para a escrita da obra e a importância do tema para o pensamento contemporâneo.
Ao olhar para sua trajetória, que lugar a escrita ocupa hoje em sua vida?
Hoje, a escrita ocupa na minha vida um lugar primordial. Depois de trabalhar como jornalista em grandes grupos de comunicação, com um estilo pragmático e imediatista, dediquei-me à carreira acadêmica, semeada simultaneamente ao jornalismo, como docente e diretiva. Está na hora de completar um legado. Parafraseando um argumento popularesco, que no meu caso é real, já plantei uma árvore, tive vários discípulos, que considero como filhos e, agora, quero escrever um livro.
Em seu processo de escrita, o que costuma estar na origem de um texto? Uma pergunta? Uma experiência? Uma pesquisa? Uma inquietação?
Tudo junto e misturado. Porém, daria prioridade à inquietação. Sem ela, não surgem as demais. Heidegger dizia que perguntar é a faculdade daquele que sabe. Sem a minima noção sobre o assunto, nem sequer conseguimos formular uma pergunta. Então, a inquietação é a origem da sabedoria, de um texto que vale a pena ser lido.
Como surge a ideia de escrever “Sui Generis”?
Sui Generis nasceu com o estímulo do pedido de centenas de alunos e amigos que pediram sua publicação ao longo da última década da minha docência em universidades brasileiras. Ele é o primeiro de uma trilogia, derivada da minha tese doutoral em Filosofia, que foi publicada em castelhano, com o título: Magnanimidade e Elegância dos Protagonistas da Moda, para atender meus alunos e amigos das universidades hispano-americanas onde leciono até hoje.
Além do filósofo Rafael Alvira, que outros pensadores contribuem para o seu trabalho na construção deste livro?
A bibliografia da trilogia é composta por cerca de 350 livros, de mais de 100 autores: filósofos, sociólogos, humanistas. Para resumir, gostaria de fazer uma síntese da linha de raciocínio seguida, partindo dos greco-romanos, como Sócrates, Platão, Aristóteles, avançando para Santo Agostinho, saltando para Santo Tomás de Aquino e muitos mais, entre eles, as que cito aqui de forma anacrônica, como Kant, Barthes, Baudrillard, Bauman, Bourdieu, Brizendine, Moratalla, Lipovetsky, Heidegger, Nietzsche, Sartre, Gadamer, Hauerwas, Hegel, Veblen, Simmel, Ortega y Gasser, Pieper, Yepes Stork, Chota, Maclntyre, Polo, Llano...
Qual você diria que é o grande diferencial dessa sua segunda obra em relação à primeira, “Magnanimidad y Elegancia de los Protagonistas de la Moda”, de 2019?
Ela particulariza e especifica temas antropológicos na nossa língua vernácula, de maneira que o leitor pode assimilar com mais profundidade a noção de pessoa, como ser único irrepetível. Sua leitura pode servir de estímulo reflexivo sobre a missão de cada um nesta vida, iluminando a consciência de que ninguém pode amar com o amor que eu amo.
Sobre a autora:
Maria Inês Migliaccio é doutora em Filosofia pela Universidad de Navarra, mestre pela Unimes e graduada pela Cásper Líbero, em Comunicação. Possui Certificações em Filosofia e Teologia, no Instituto Villa delle Rose, em Roma; Gestão Empresarial e Editorial no ISE/IESE Business School; e mestrado em Governo e Cultura das Organizações, no Instituto de Empresa y Humanismo da Universidad de Navarra. É ainda autora dos livros de antropologia Magnanimidad y Elegancia de los Protagonistas de la Moda (2019) e SUI: Você, Ser Único e Irrepetível (2026). Trabalhou dez anos como jornalista da área político-econômica no Grupo O Estado de S. Paulo. Também ocupou cargos diretivos e de docência na graduação e pós-graduação, na área de Humanidades e Filosofia, na Universidad Hemisferios, no Equador e no Centro Universitário Belas Artes, em São Paulo. Desde 2017 é professora de Antropologia e Psicologia da Arte em cursos de Pós-Graduação da Universidad de Piura, Peru. E, desde 2024, é professora de Antropologia na Faculdade Mar Atlântico, no Rio de Janeiro.
Sobre a série Quando elas escrevem
A série Quando elas escrevem reúne autoras publicadas pela Editora Jaguatirica em diferentes campos — da literatura à medicina, da pesquisa acadêmica à prática profissional — e torna visível o percurso que sustenta o gesto de escrever.
Leia também os demais posts da série:
Conteúdo originalmente publicado no Substack da Jaguatirica.




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